Escutar

Essa é uma pergunta muito boa….

Então vamos lá..

Em primeiro lugar,  se você perdeu sua audição aos poucos ou de uma vez, vale a pena lembrar que ouvir com aparelho auditivo não será a mesma coisa. Costumo dizer que melhora mas não é um ouvido novo e nem biônico.

Mas o que é normal então?

Algumas coisas estão relacionadas com o grau de perda de audição e o percentual de discriminação vocal (ou seja, o quanto o paciente entende em situação ideal). Mas, de maneira geral, podemos elencar os seguintes itens:

1. A sua voz vai ficar diferente – muitas vezes a própria voz fica diferente ou então o paciente tem a sensação de estar falando muito alto mesmo falando numa intensidade normal. Isso é muito comum e geralmente depois de 2 dias de uso a sensação desaparece. Caso continue, anote e comunique seu fonoaudiólogo.

2. Tirar o aparelho é um alívio – é normal no início do teste sentir um alívio ao tirar o aparelho auditivo. O motivo é que não estamos acostumados a ter nada dentro dos ouvidos. Fique tranquilo! Mas se vc sentir DOR… pare de usar imediatamente e avise seu fonoaudiólogo.

3. Você vai ouvir bem mas não PERFEITAMENTE – no silêncio, em situações com 1 ou 2 pessoas no máximo a performance deve ser entre 90 e 100%. Os aparelhos auditivos (desde que bem ajustados) devem amplificar os sons de forma que o paciente ouça de forma confortável. A audição deve ser combinada com a visão …então OLHE a boca do interlocutor. Isso vai melhorar mais ainda seu desempenho com os aparelhos auditivos.

4. Ambientes com ruído são mais difíceis para entender conversas – ambientes com ruído ou várias pessoas falando ao mesmo tempo chamamos de ambientes desafiadores ou com competição. Imagine só.. seu cérebro está um bom tempo sem estímulo e escutar direito e agora, de uma hora para outra o som está chegando..tudo de uma vez!. Os aparelhos auditivos, de forma geral, tem suas limitações.  Mas lembre-se pessoas com audição normal também tem dificuldades de entender em situações muito barulhentas ou com muitas pessoas falando. Então como resolver? Para MELHORAR esta situação os aparelhos auditivos de tecnologia intermediária tem um recurso chamado REDUTOR DE RUÍDO. Quando vc for testar um aparelho auditivo, pergunte ao seu fonoaudiólogo se seu aparelho tem isso e  se vc pode escolher o grau de ação deste redutor ( minimo – redução entre 5 e 8 dB, médio -redução entre 9-15 e máximo – entre 18 e 24 dB, por exemplo). GARANTO que esse recurso faz a maior diferença em 99% dos casos muito mais que um monte de canais no seu aparelho auditivo.

5. Seu aparelho pode apitar – Sim… isso pode acontecer, mesmo com ele bem encaixado. Quanto mais sofisticado seu aparelho auditivo, menos chance de apitar teremos. Mas, se sua perda auditiva é severa ou profunda e seu aparelho auditivo potente, há mais chance de microfonia.

Mas o mais importante:

  • Você DEVE perceber o benefício de usar seus aparelhos auditivos. E quem convive com vc também!
  • Ficar com eles deve FACILITAR sua comunicação.
  • Se isso não estiver acontecendo, tem algo errado…MAS NÃO DESISTA!!! Explique para seu fonoaudiólogo o que está acontecendo.  Ele vai identificar o problema e resolver.

 

Boa semana a todos!  🙂

Por: Mirella Horiuti

Para: www.naoescuto.com

 

 

baterias

Mais uma da série  PILHAS…. para finalizar o tema…  🙂

O que mais pode alterar a vida útil?

1. Umidade – Temperatura – Altitude

Se você mora num clima muito seco ou muito úmido, suas pilhas podem durar menos.. No primeiro caso as baterias ficam sem carga e no segundo, a umidade é absorvida pelos furinhos e podem levar até ao vazamento da pilha. Conforme a temperatura diminui, a voltagem da reduz … ou seja…. reduz a vida útil da pilha. Se há uma combinação de alta altitude e baixa temperatura, a situação é pior.

2.  Tempo de uso

Simples assim: quanto maior o uso , maior o gasto de bateria.

3. Tecnologia

Quanto mais sofisticado seu aparelho auditivo e mais recursos (famosos algoritmos- cancelamento de microfonia, redutor de ruído, etc) ativados ele tem, maior o consumo. Além disso, aparelhos auditivos com conectividade Bluetooth (famosos wireless- que conectam o aparelho auditivo direto no celular ou televisão) ativada, também consomem mais pilha.

 

#ficadica: Antes de escolher seu aparelho auditivo,  questione seu fonoaudiólogo sobre a durabilidade da bateria. Coloque na balança o custo e o benefício e decida o que é melhor para você!

Boa semana!

 

Por: Mirella Horiuti

Para: www.naoescuto.com

 

 

Pilha1

Vários pacientes já me fizeram essa pergunta…

Minha experiência: já tive baterias que funcionaram praticamente como novas e outras que demoraram mais de 3 minutos para ativar e depois acabaram logo.

Agora te pergunto…. quem não usou uma pilha vencida no seu aparelho auditivo seja porque não percebeu ou por falta de alternativa… que atire a primeira pedra….!  🙂

Não existe muito desse tipo de informação por aí.. mas acho que antes de colocar uma bateria vencida no seu aparelho auditivo vc deve avaliar os riscos…

Então vamos lá…   uma bateria perde cerca de 3% de sua capacidade a cada ano que passa a partir da data de vencimento que consta na cartela ( que geralmente é de 2 a 3 anos dependendo da marca). Então é só fazer as contas… Uma bateria vencida por 4 anos deve ter em torno de 85-88% da sua capacidade.

Se a bateria for de uma marca boa e foi estocada devidamente pelos importadores e vendedores (em temperatura entre 10 e 30 graus Celsius e local seco) provavelmente não haverá problema. No máximo a pilha vai durar menos.  O perigo mora no vazamento da bateria… E isso não dá para garantir somente olhando a bateria…

Encontrei umas dicas importantes:

#ficadica1:  Nunca guarde suas pilhas no refrigerador. Isso é meio que uma lenda. Com certeza vc já ouviu alguém dizer que colocar as pilhas no freezer as recarrega ou aumenta sua vida útil. Não para baterias de zinco. Alta umidade e baixas temperaturas  interferem na descarga e voltagem da bateria e como consequência,  na sua vida útil.

#ficadica 2:  Nunca deixe suas pilhas no sol ( como por exemplo, dentro de um carro fechado). Isso também pode danificar suas baterias.

#ficadica3:  Nunca deixar as pilhas soltas dentro da bolsa. O contato com metais e outras coisas podem dar curto na pilha e afetar sua vida útil também.

 

Boa semana à todos!  🙂

 

Por Mirella Horiuti

Para:  naoescuto.com

 

 

Desumidificador2baterias

Essa semana li o post do Crônicas da Surdez, da ilustre amiga Paula Pfeifer (que amo e admiro demais!) sobre desumidificadores e resolvi escrever sobre isso…

Existem vários tipos de desumidificadores, os de sílica e aqueles eletrônicos. Os eletrônicos funcionam sozinhos (como o que a Paula citou) ou como parte de um sistema de recarrega pilhas (você coloca seu aparelho auditivo com as baterias recarregáveis no carregador e ele desumidifica o aparelho auditivo – o processo dura umas 7 horas). Para quem tiver curiosidade, esse produto chama-se eCharger e o fabricante é a Siemens.  Eu particularmente gosto desse carregador pela praticidade de não ter que trocar as baterias pelo menos por um ano…  🙂

Bom,  mas vamos ao que interessa…. vamos entender como funciona um desumidificador de sílica.

A sílica cria um ambiente com baixa umidade devido à sua propriedade de absorção e isso previne problemas futuros nos aparelhos auditivos. Há alguns tipos no mercado, umas coloridas e outras transparentes. A diferença é somente a cor. Entretanto, as sílicas coloridas mudam sua coloração conforme vão ficando úmidas: de roxa passam para rosa, por exemplo. A maioria das sílicas pode ser reativada, ou seja, quando submetida à altas temperaturas (entre 100 e 200 graus Celsius) por um período de tempo (vc deve verificar as orientações do fabricante) elas voltam à funcionar. Mas fique atento, dependendo da sílica à cada reativação ela perde de 10 a 25% da sua ação. Por isso, vc vai encontrar por aí sílicas transparentes (sem corantes) cuja vida útil é estimada em 3 meses (depois de abertas) e depois podem ser descartadas em lixo normal (não agridem o meio ambiente).

Então, a pergunta é simples…. Pode ou não pode deixar a pilha (ou bateria) dentro do aparelho auditivo quando colocá-lo no desumidificador? Isso vai mudar a vida útil da pilha ?

Bem…depende…  Sim! Depende de duas coisas… CLIMA e TRANSPIRAÇÃO.  A sílica desumidificadora funciona bem no verão, mantendo os componentes do aparelho auditivo e baterias livres da umidade do ar e da transpiração. Umidade demais também pode prejudicar a bateria. A sílica desumidificadora é útil também para garantir uma vida útil estável da bateria em ambientes muito úmidos ou quando o paciente transpira demais seja devido ao calor do local (como na cidade de São José do Rio Preto…rs)  onde mora ou condição médica (hiperidrose, menopausa, etc).

#ficadica: se as baterias em uso do seu aparelho auditivo SEMPRE enferrujam ou ficam inchadas, melhor retirá-las do aparelho sempre que não estiver usando. Isso pode acontecer por alguns motivos… pilhas ruins ( de má qualidade ou com acondicionamento ruim seu, do fabricante ou revendedor) ou excesso de umidade (clima ou transpiração). Para minimizar o problema, coloque-as no desumidificador mas separadas do aparelho auditivo.  Mas atenção! Ainda há risco de vazamento da pilha!

No inverno (com pouca umidade) e nos casos de pouca transpiração… o recomendado é colocar seu aparelho auditivo no  desumidificador sem a bateria. Nesse caso, a pilha pode durar menos. Mas antes de culpar seu desumidificador, avalie outros pontos como marca da bateria e outras coisas…

Resumindo…

Muita umidade OU muita transpiração

PODE colocar seu aparelho auditivo com a bateria na sílica.

 

Pouca umidade E pouca transpiração

MELHOR RETIRAR a bateria do seu aparelho auditivo antes de colocar na sílica.

 

Boa semana à todos!  🙂

 

Por: Mirella Horiuti

Para: www.naoescuto.com

 

 

 

   

 

conversa2

Essa semana recebi um email muito bacana de uma professora preocupada com os alunos usuários de aparelhos auditivos e que são oralizados, ou seja, que usam a fala como meio de comunicação.

As dicas que vou apresentar aqui são baseadas em alguns anos de experiência com pacientes e uma pesquisinha básica na internet é claro ( #aprendendosempre) …

Antes de tudo, gosto de deixar alguns pontos bem claros para meus pacientes…

  •  Aparelho auditivo não é um ouvido novo – pode ser meio óbvio escrever isso mas sempre reforço essa mensagem. Por mais cara e sofisticada que seja uma prótese auditiva,  ela nunca substituirá nossa milagrosa natureza, ou seja, um ouvido normal sempre será melhor que um com aparelho auditivo na maioria das situações. Mas como assim nas maioria das situações? Então há situações em que ouvir com aparelho auditivo é melhor que ter audição normal? Sim! Mas temos que considerar várias coisas: o ambiente deve ser ruidoso, o aparelho auditivo deve ter um microfone direcional ultra-mega-power sofisticado  (e cá entre nós somente os aparelhos auditivos top de linha tem isso) e quem fala deve estar na frente do usuário a menos de 1 metro de distância. Bastante coisa.. então fica a mensagem ouvido normal é melhor que ouvido com aparelho auditivo. Sempre brinco com as palavras: aparelho auditivo é uma prótese e o próprio nome já diz tudo “PRÓTESE” e não é um ouvido biônico.
  • Pessoas normais olham para a boca do outro quando conversam – sim! Isso é normal e ajuda muito! Faça o teste vc mesmo. Comece a conversar com alguém que tenha audição normal e de repente (disfarçadamente) fique numa posição que a sua boca fique encoberta – atrás de um vaso por exemplo. Vc vai se divertir vendo a cara da outra pessoa tentando desviar do obstáculo para enxergar sua boca.   🙂
  • Quando estamos cansados ou doentes nosso entendimento piora – essa é uma grande verdade!

Mas vamos ao que interessa…seguem  algumas dicas:

1. Solicite a atenção do usuário de aparelho auditivo – Antes de começar a falar chame o usuário pelo nome ou até mesmo toque nele para chamar a atenção para você. Esse gesto simples já prepara a atenção do usuário para a conversa. Ele vai entender que precisa prestar a atenção em vc e não vai perder o início da conversa.

2. Mantenha o contato visual –  Olhe para o usuário e utilize sua expressão facial. Isso vai ajudar no contexto…vai dar pistas se o que vc está falando é bom, ruim , sério, triste, etc…

3. Não cubra seu rosto – Quando vc estiver falando mantenha suas mãos longe do rosto. E se vc for fumante, nunca fale com o cigarro na boca ou chicletes, isso atrapalha a produção da fala alterando a nitidez. Presença de bigode pode dificultar a nitidez da fala também.Vale a pena dizer que quanto mais iluminado o lugar que vc estiver, melhor é claro ( mais pistas ficarão disponíveis)! Agora você percebeu o quanto é difícil falar da sala e querer que o usuário te entenda estando num outro cômodo da casa?

4. Fale claro e na intensidade normal – Por favor não grite! Isso só atrapalha pois distorce as palavras. Não fale nem muito rápido, nem muito devagar – fale normalmente, no ritmo normal e de frente! O segredo é falar com pausas para dar tempo para que a outra pessoa processe a informação.

5. Não repita a frase se o usuário de aparelho auditivo não entendeu – Reformule a frase, ou seja, fale de outra maneira. Vai ficar mais fácil para ele entender pois vai pegar algumas pistas da primeira frase e juntar com a segunda frase reformulada.

6. Fuja do barulho – Tente sempre conversar num local mais silencioso. Desligue o rádio, tv, tudo que estiver competindo com a sua fala. Quando for a um restaurante ou festa, procure ficar distante da área de som, cozinha e bar pois esses ruídos podem atrapalhar. Afinal você não sabe qual a tecnologia do aparelho auditivo do interlocutor e o redutor de ruído pode não ser muito bom ou estar bem regulado…

7. Pergunte para o usuário se ele tem preferência de lado para você falar – Muitas vezes o paciente tem um ouvido que escuta melhor e prefere que o interlocutor fique daquele lado.

8. Não mude de assunto de repente – Se vc precisa mudar de assunto, faça uma pausa e use uma introdução do tipo… ” Mudando de assunto, blablabla…”. Isso vai garantir que ninguém fique boiando…

Espero que essas dicas sejam bem úteis!

Boa semana à todos!   🙂

 

Por Mirella Horiuti

Para www.naoescuto.com

 

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Adoro falar disso.  🙂

Depois de 8 anos trabalhando dentro do fabricante de aparelhos auditivos, posso dizer com toda a segurança:

SÓ MANDE SEU APARELHO AUDITIVO PARA ASSISTÊNCIA TÉCNICA SE ELE ESTIVER COM PROBLEMA !!!

Por que  falo isso? Simples. Vamos fazer uma analogia entre produtos eletrônicos.

Você envia seu celular ou televisor para fazer revisão e limpeza uma vez por ano ou a cada 6 meses?

A resposta é NÃO!

E você já deve ter ouvido a frase … ” Em time que está ganhando … não se mexe!”

É isso mesmo. Se  seu aparelho auditivo está normal, com a mesma qualidade de som, as pilhas durando o mesmo tempo e  seu fonoaudiólogo de confiança escutou e avaliou seu  aparelho, não há motivo algum para abrí-lo e verificar seu funcionamento. Pode ter certeza !!!!

Quando falamos das peças dos aparelhos auditivos, não há limpeza que possa ser feita nas peças que faça ele funcionar melhor… Veja bem que não estou falando de acúmulo de cera na frente do receptor dos intras ou modelos RIC (receptor no canal).

Existe uma limpeza externa do aparelho auditivo intra ou retro que pode ser feita pelo próprio fonoaudiólogo ou paciente (desde que orientado). É a limpeza de gancho ou cotovelo, contatos de bateria, troca de protetores de cera, troca de tubo de molde etc. Isso pode e deve ser feito com certa frequência ….. Mas NÃO é desse tipo de limpeza que estou falando.

Na minha experiência, só existe uma situação em que mando abrir (desmontar!) o aparelho auditivo para limpeza. Quando observo sinais importantes de oxidação e umidade . Aí sim uma limpeza pode ajudar. A limpeza servirá para prevenir algum futuro dano no aparelho mas, o importante mesmo é tentar achar a fonte do problema. Por que está acontecendo isso? Quando identificamos o que está provocando o problema, podemos intervir. Muitas vezes somente uma orientação ao paciente resolve.

Já tive um paciente que a cada 3 meses tinha problemas de umidade no seu aparelho intracanal e acabava danificando o receptor. Isso não é  normal. Investiguei tudo que podia e acabei descobrindo que ele usava um líquido a base de água para lubrificar o aparelho para facilitar a colocação dentro da orelha toda vez que colocava  (umas 2-3 vezes por dia!) . BINGO! Era esse líquido que deixava os componentes úmidos.  Não há desumidificador no mundo que resolva esse problema..rs

Mas, voltando ao assunto, aparelho que está bom deve passar longe da assistência técnica.

Costumo dizer que ou o aparelho está bom ou tem problema. Não tem cinza – ou é branco ou é preto.

Sempre oriento meus pacientes à ficarem atentos… qualquer mudança no consumo de bateria e na qualidade sonora já é motivo para retornarem à minha loja para avaliarmos. O seguro morreu de velho, certo…. rs?

 

Boa semana à todos!  🙂

 

Por Mirella Boaglio Horiuti

Para www.naoescuto.com

 

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Essa semana atendi vários pacientes com essa dúvida. Descrentes de tudo. Dizendo… ” Já testei um digital e achei péssimo. O meu analógico é muito melhor. Quero um igual, vc tem?”

Respondendo à pergunta do título do post:  “Uso aparelho analógico e adoro. Vou me acostumar com o digital?” .

Minha resposta é SIMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMM!   🙂

Fique tranquilo. Isso é possível.

Mas vamos por partes…  por que tem um monte de pacientes por aí que testaram e não se adaptaram?

Eu te respondo… os motivos são vários, dependendo da época que esse aparelho digital foi testado.

Se vc testou esse digital lá pelos meados dos anos 2000 -2002, quando foram lançados (eu já estava  lá de novo ….kkkk) , havia uma crença de que o digital deveria ser automático e o paciente não precisaria mexer no volume. Então, os aparelhos digitais não tinham controle de volume. Por esse motivo, vários pacientes meus testaram e desistiram de usar o novo aparelho digital pois sentiam falta de poder mexer no volume. Além disso, esses aparelhos não eram muito potentes. Na época as perdas de grau severo e moderado estavam de fora.

Com o tempo, os fabricantes de ponta começaram a lançar produtos digitais mais potentes.

Hoje, conseguimos atingir até perdas de grau severo a profundo com modelos intra ou microcanais.

Mas então qual o problema nos dias de hoje?  Simples:  REGULAGEM! Acreditem. Na época que treinava fonoaudiólogos pela Siemens, sempre dizia… nunca se baseie somente no que o software de regulagem do aparelho diz. Olhe para o paciente  que está à sua frente. Ele vai te dizer o que precisa e o que quer ouvir.

Então, não desanime se você algum dia já testou um aparelho auditivo digital e não se adaptou.

Tente de novo!  🙂

#ficadica: procure um fonoaudiólogo que realmente está comprometido com seu caso e simplesmente FUJAAA daquele que deseja apenas te vender um par de aparelhos auditivos a qualquer custo. 

Boa semana à todos!  🙂

 

Por Mirella Boaglio Horiuti

Para www.naoescuto.com

 

baterias

Bateria ou pilha?   Fique tranquilo ….. tanto faz !!!   🙂

Por que isso é importante? Simples assim: porque vai mexer no seu bolso e no seu tempo.

Como assim?  Acho que você tem o direito de escolher  o quanto vai gastar por mês e quantas vezes terá que parar o que está fazendo para troca a pilha, certo?

De maneira geral a regra é essa:  quanto menor o aparelho, menor a pilha e quanto menor a pilha, menos ela dura. E se no final das contas você está de olho num aparelho auditivo pequeno e potente, mais um item para avaliar. Mas fique atento … isso pode variar conforme as marcas de aparelhos auditivos. Como tudo nessa vida… temos por aí marcas boas e ruins nesse aspecto. Pesquise!   🙂

#ficadica:  quando estiver escolhendo seu aparelho auditivo pergunte ao fonoaudiólogo quanto tempo em média dura a pilha do modelo que ele está indicando para seu você, na potência adequada para seu caso. Ele tem essa informação.

Agora vamos falar um pouco das pilhas ou baterias de aparelhos auditivos. Existem vários tamanhos. De forma geral, quanto maior a bateria, maior sua autonomia. O tamanho da bateria está diretamente relacionado com o tamanho do aparelho auditivo, ou seja, quanto menor seu aparelho auditivo, menor a pilha… como disse acima.

São 4 os tamanhos mais comuns:

Tamanhos de baterias

Tamanho 675  ( selo azul)– para retroauriculares bem potentes

Tamanho 13  ( selo laranja) –  para retroauriculares convencionais e RIC e intra-auriculares

Tamanho 312  (selo marrom)-  para retroauriculares convencionais e RIC e intracanais

Tamanho 10 ou 230  (selo amarelo) – para retroauriculares  RIC e microcanais

Tamanho 5  (selo vermelho) – para microcanais. Há uns bons 10 anos que não vejo essa pilha no mercado (pelo menos no Brasil). Quando lançaram os microcanais (em 1900 e bolinha…. e eu estava lá..rs)  e o canal auditivo do paciente era muito pequeno, esse tamanho era utilizado.

Essa tabelinha é baseada no meu conhecimento  mas  pode haver algum tipo de uso diferente por aí  pois não conheço todos os modelos do mundo….rs

Existem diversas marcas de pilha no mercado. Também não existe milagre, quanto à durabilidade: marca boa dura mais. Eu particularmente gosto de 3 marcas: Siemens, Panasonic e Duracell. Marca ruim  dura menos e o pior de tudo, a pilha pode vazar ou estufar danificando seu aparelho auditivo. Uma outra coisa que está surgindo no mercado são as falsificações de pilhas – portanto, compre as suas num local confiável e nunca de locais de aparência suspeita. O barato pode sair caro. O custo médio de uma bateria é  3 reais.

A durabilidade da pilha ou bateria depende de uma série de fatores além do tamanho. Depende também da regulagem do aparelho (quanto mais potente maior o consumo), recursos ativados e das horas de uso.

As baterias recarregáveis tem uma autonomia de 8 a 14 horas, dependendo do tamanho. No Brasil, somente 2 marcas se utilizam de pilhas recarregáveis nos  seus aparelhos auditivos nos tamanhos 13  e 312.

As baterias convencionais (de zinco) tem autonomia diferente. Os dados abaixo se referem à duração média (11 horas por dia) em aparelhos digitais – que avisam quando a pilha está nas últimas. Aparelhos analógicos tem um consumo diferente – funcionam até o último suspiro da bateria. Isso quer dizer que se vc tirar a bateria ruinzinha de um digital e colocar num analógico vai funcionar? Sim… com certeza!

Tamanho 675  ( selo azul)– 15 a 20  dias.

Tamanho 13  ( selo laranja)-  10 a 15 dias

Tamanho 312  (selo marrom)-  10 a 12 dias

Tamanho 10 ou 230  (selo amarelo) – 5 a 7 dias

Tamanho 5  (selo vermelho) – 2 a 3 dias

#ficadica: retire o selo da bateria e aguarde 1 minuto antes de utilizar.  Essas pilhas são ativadas à ar e necessitam de um tempo para chegar na carga total. Se você retirar o selo e rapidamente colocar a pilha em uso ela pode durar menos. Outra coisa meeeeega importante: DATA DE VALIDADE. Toda cartelinha de bateria tem a data. Verifique antes da compra ainda mais se você quiser fazer um pequeno estoque, ok?

Boa semana à todos!  🙂

 

microfonia

Uma das coisas mais comuns que acontecem com pacientes usuários de aparelhos auditivos é a reclamação sobre o apito. A famosa microfonia ou feedback. Confesso que essa reclamação tem diminuído ao longo dos anos pois cada vez mais temos mais recursos nos aparelhos auditivos digitais.

Vou dar uma lista de dicas que podem ajudar o usuário a descobrir se esse “apito” é normal ou não. Vamos lá:

Regras básicas:

  •   aparelhos auditivos apitam sim. É normal! Ainda mais se eu colocar a mão em cima dele quando estiver na orelha. É claro, que existem alguns casos que mesmo colocando a mão ou o telefone o aparelho não apita. E por que? Simples – pode ser devido à uma associação de fatores ou apenas um deles: uso do recurso digital de Cancelamento de Microfonia e/ou aparelho fraco (pouca potência) e/ou sem ventilação.
  • quanto mais potente um aparelho mais chance de apitar.
  • quanto mais ventilado o molde ou cápsula, mais chance de apitar também.

Mas, se desde que se iniciou o uso ele nunca apitou e de uma hora para outra começou a apitar, podemos ter os seguintes problemas:

cera no ouvido – obstrução do canal auditivo interno por cera faz com que o som que sai do aparelho seja refletido causando o apito. O fato de usar aparelho auditivo estimula a produção de cera na maioria dos pacientes.

molde ou cápsula dos modelos intra folgadas –  isso pode acontecer depois de alguns anos de uso ou se o paciente emagreceu muito.

a perda auditiva piorou – agora para escutar melhor o paciente deve aumentar mais o controle de volume, aumentando a chance de microfonia.

defeito técnico no aparelho auditivo

O que fazer então?

Consulte seu fonoaudiólogo de confiança. Ele verificará seu ouvido, seu aparelho, molde, sua audição e encontrará o problema ( se houver um). Não entregue seu aparelho auditivo à qualquer pessoa. Ele é um produto médico e foi configurado para você.  

Bom final de semana à todos!  🙂